O seu lugar.

A exceção é feita quando da vontade de escrever e do domínio sobre o quê de fato falar. Não como ou por quê. Mas simplesmente os assuntos e os motivos. Meio que por totalidade concentrados em um certo ambiente de comum acordo.

E o comum acordo parte da concordância entre eu e eu mesmo, quem diria? Tomando por base que escrever se tornou um trabalho, uma obrigação entre aspas, a rotina é por vezes prazerosa, satisfatória e imensamente divertida/informativa/curiosa.

Mas, voltando ao eu, puxar ao nível pessoal transforma em algo mais complicado o que muito simples é. Saber onde e de qual forma adequar as mudanças não se baseia numa fórmula ou equação, e sim no chute, na palavra arriscada e na evolução do texto feito em longas e reflexivas pausas.

E avistando um mural de rede social me deparei muito com questões que sinceramente escondi por meses e meses, eu diria. Um simples – e não uso a palavra como diminutivo para a situação – acidente serve ou deveria muito servir de lição. Mas uma lição verdadeira, daquelas de serem lembradas ao amanhecer e ao anoitecer. Ao começar e ao terminar. Ao parar e ao ir em frente.

Manifestações de carinho e amor descritas para alguém que, à exceção de crenças religiosas, jamais chegará a lê-las. Será que alguém se arrependeu por não ter manifestado o pensamento ainda em tempo de receber uma espécie de resposta? Esse é um ponto chave que tento me adaptar diariamente. Difícil, porém essencial.

Entretanto, o pensamento é dirigido em outra direção. A do quão possível é conquistar uma pessoa ou um grupo delas. A pessoa a qual me refiro conseguiu essa façanha quando em vida: conquistou, cativou e manteve ao seu lado uma enormidade de seres que, ao se manifestarem de forma tão solidária e emocionante, passam a certeza de querer ter conhecido aquele exemplo e aprendido com ele.

Agradar e desagradar pessoas são artes há muito colocadas no âmago de cada um ao nascer. É instintivo, mesmo que às vezes sem intenção, por mero acaso. O mundo é cruel. A única forma de justiça nesse mundo cruel é o acaso.

E como já antes manifestei aqui por essas bandas, a busca pelo agrado de gregos e troianos é uma cobrança diária imposta sem intenção clara definida. Mas aí é de pensar: será que surge algum efeito disso? E um pouco mais importante: será que o efeito é positivo?

Os contatos sendo perdidos e retomados. Quais os motivos e as razões por trás das específicas mudanças? É gente que vai e não volta. Gente que vai e volta ‘metade’. Gente que volta trazendo aquilo que tinha levado. Gente que um simples – repito a expressão com a mesma intenção anterior –  acidente pode tirar a chance de voltar.

E se for comigo? Terei cativado alguém? Terei cativado muitos? Teria cativado a mim mesmo se olhasse do lado inverso ao rotineiro? Minha resposta às perguntas é sinceramente desconhecida ainda, apesar da quase vergonha em não transparecer uma definição positiva a partir das mesmas.

A única certeza é que jamais na história desse país fugi tanto de desentendimentos, de processos de afastamento inclusive inevitáveis. Infelizmente, o fugir do desentendimento também possui os precisos aspectos negativos que podem vir a afastar pessoas, proporcionando a transformação do carinho nutrido por elas em mera lembrança – raras vezes nostálgica.

Dizem que a vida só vale a pena quando alguém sente falta da gente, e eu honestamente concordo.

Assim que você encontrar o seu lugar, guarde embaixo do solo suas mágoas.

Seja lá como for.

É aquela coisa de não saber por onde começar um texto. Aquela coisa de não saber como ordenar um denominado simples pensamento colocando uma palavra após a outra. Aquela coisa de sempre, sem absolutamente nenhuma novidade. Mas também é aquela coisa de insistir e dar jeito de conseguir, sabe? Afinal, por que não?

Aquela coisa de olhar para o que foi escrito anteriormente e refletir sobre quase nenhuma mudança. Não evoluí como pessoa, não evoluí como ser humano. Segui me dizendo as mesmas coisas por mais de um ano e não vivendo-as, vivenciando-as – como queira. Fácil assim, né?

A gente bate tanto na porta para poder entrar, para poder fazer parte, quando na verdade deveríamos estar do outro lado, tentando sair. É assim que ando vendo as coisas por agora, sinceramente. Sair e achar alguma coisa nova. Gente nova, atitudes novas. Por que não?

São tempos em que nem mesmo o saudosismo da nostalgia tem me feito celebrar, nem comemorar muito. São exageros lembrados, que justamente ao serem lembrados causam o espanto de ver que nada mais está ali, tudo realmente mudou. Menos nós. E acho que posso sim falar por nós, porque hoje em dia dificilmente alguém se reclui ao seu próprio, exclusivo e íntimo pensamento.

Dificilmente desejamos de verdade. Em demasia falamos, é verdade. Sofro de tal erro como quase todos. Mas escrevo o óbvio, mais uma vez, para minha própria leitura: é preciso falar menos e agir mais. Inclusive dificilmente juntamos tudo em uma coisa só. Mas por que não?

Disse um cara, há alguns séculos, que bendito entre os mortais aquele que não perde um momento da vida a recordar o que passou. Eis a coisa mais necessária do mundo, provavelmente: olhar o tempo inteiro para a frente. Eis a coisa mais difícil do mundo: jamais olhar para trás. É fisicamente impossível, é aquilo que te faz ser quem tu é, de fato.

E onde esse pensamento quer/vai chegar? Adivinha só, não faço ideia. Não quero fazer, não é o objetivo quando se busca algo mais, algo a mais. E o problema em relação a isso tudo se baseia na razão de não agir em primeiro lugar. Então… por que não?

Façamos alguma coisa enquanto ainda é tempo. Enquanto não nos arrependemos de não ter feito nada.

Why do we fall, sir? So that we might learn to pick ourselves up.

Evite ou desacredite.

Sexta-feira passada entrei num portão. Passei por ele pela primeira vez (e sinceramente espero que seja a primeira de muitas vezes). Fiquei maravilhado desde o momento em que coloquei o pé dentro daquela área. Tudo diferente, tudo novo, tudo fora do normal. Fui encaminhado a uma sala. Sala muito foda, diga-se de passagem. Nela estavam algumas cadeiras confortáveis, uma longa mesa e uma televisão gigante.

E daquela televisão começaram a falar comigo numa boa. E perguntaram coisas que até hoje não tinha dito pra nenhum dos meus melhores amigos. Mas respondi, não sei como. Respondi sinceramente, tentando me expressar da melhor maneira possível, porque aprendi que às vezes a forma como tu te expressa é mais importante do que o conteúdo em si, infelizmente. Pra quem tem dificuldade no quesito comunicação, isso é uma merda. Pra quem tem resistência quanto a forma de expor os próprios sentimentos, ainda mais.

Mas era só uma televisão, ou era assim que eu buscava ver com a intenção de facilitar tudo. Coisas que nem eu próprio me paro a pensar (e olha que pensar é provavelmente o que mais faço), e que me fizeram ter inclusive dificuldade em achar as devidas respostas, porque quando me perguntaram ‘qual a maior dificuldade que tu enfrentou/enfrenta na vida?’ tive a instintiva reação em pensar sobre quem mais sabia aquela resposta, além de mim. ‘Ninguém’ logo apareceu na minha mente.

A razão disso é provavelmente porque, pra evitar ser chamado de mimizento ou coisas do tipo, evitei compartilhar algo que poderia parecer uma desculpa aos olhos alheios. Não é o pior dos problemas do mundo, visto que felizmente tenho mais que o necessário pra ser uma pessoa feliz (e sou), mas de qualquer maneira evitei dizer que ando cagado de medo, e não só por mim. Evitei dizer que daqui a pouco pode dar tudo errado, mas que tenho muita esperança em que as coisas girem pro lado positivo. Evitei dizer que parte do meu egoísmo, pela primeira vez na vida, tem algum mínimo sentido.

É isso que eu faço, eu evito, porque enquanto algumas questões não dão certo, não arrisco outras a seguirem o mesmo caminho. É uma forma de viver a vida. Serei chamado de covarde, de egoísta, de sem sentimentos, de gurizão, de imaturo? Sim. Já fui, inclusive. Mais de uma vez, por mais de uma pessoa. Quase acostumei, pra ser sincero. Mas defini prioridades, e uma pessoa em especial precisa mais da minha ajuda do que qualquer outra.

A margem de erro tende a zero, então acaba sobrando pra quem não tem nada a ver. E mesmo assim busco agradar gregos e troianos, não sei por quê. Não foi nem minha criação que me levou a esse ‘costume’. Só me ensinaram a ser verdadeiro, e eu sei que sou. A forma como expresso isso é que me fode, com o perdão da palavra. Mas mesmo que tentar agradar a todos seja um grande erro, sigo em frente.

É até engraçado, pra falar a verdade. Tu tá no computador tentando te explicar pra alguém que tu decepcionou, aí outra pessoa te cobra algo que tu tinha combinado em tal horário. Na esperança de consertar as coisas com a primeira pessoa, mesmo sem conseguir, tu estraga as coisas com a segunda porque chega atrasado. No momento que tu sai disparando, esquece o celular em casa, e não atende a ligação de uma terceira pessoa que tinha algo importante a te falar. São 3 pessoas que tu decepcionou em menos de 5 minutos, sem a MÍNIMA intenção.

Aí tu volta, vê o celular e passa a dar importância para aquele assunto, porque quer consertar as coisas mais uma vez. Só que a criatura não sabe o que aconteceu antes, e se tu fizer questão de te explicar, soa como uma desculpa esfarrapada. Se tu não explica? Pois é.

É tudo uma linha muito tênue, uma corda bamba. E ando caindo pro lado errado dela. Se é por cagada minha, por falta de concentração, por culpa do vento ou porque a corda é muito fina, não sei. Não quero saber.

Só chego a escrever essa hora da manhã pra tentar evitar decepcionar uma outra pessoa: eu mesmo. Não por egoísmo, mas mais por falta de esperança de não decepcionar os outros, sabe? E não vem dizer que é mimimi ou que é drama, senão vou te mandar pra putaquepariu.

São três as pessoas que penso que, mesmo decepcionadas comigo, me dariam um abraço apertado, ainda sem saber aquela dificuldade citada ali em cima. E nesse momento me apoio nelas com um sorriso. Elas sabem que abdiquei da maldade há tempos, e que tenho feito de tudo pra ficar em paz sem incomodar ninguém. E mais do que isso, sabem ver a virtude principal.

Isso tem muito valor. Isso é confortante. Isso é emocionante, inclusive.

As coisas vão melhorar, sei que vão, e vou me tornar alguém menos ‘atrapalhado’, menos ‘desapegado’. Alguém melhor, como é meu objetivo há tempos. Quem eu não espantar até lá, espero que comemore comigo quando for a hora.

Shall we?

Eu, do fundo do meu coração, tenho um orgulho absurdo de ser quem sou. Não vou dizer que é fácil e que nunca deu vontade de desistir, mas vale muito mais a pena continuar.

Três grandes, três gigantes.

Tenho sonhado mais que o normal, e com todo tipo de coisas. Diversas mesmo, então gostaria de escrever sobre isso. Tirar da mente e parar de matutar sobre o porquê desses sonhos (por vezes até repetidos ou parecidos demais) acontecerem.

E quando digo que tenho sonhado demais, quero dizer que os tenho lembrado como não é comum para mim lembrar. Acordo e lembro exatamente como todo o sonho aconteceu. E acho isso incrível, principalmente por não estar acostumado. Parece tão real. Às vezes acontece como de fato aconteceu na realidade um dia. Como pode? Fantástica a mente humana.

Mas digo aqui que nenhuma dessas memórias fictícias supera aquilo que sonho acordado. E é muita coisa, posso garantir isso. Algo desse todo por vezes consigo compartilhar, consigo falar sobre. Outro tanto ainda é difícil. Processo lento e demorado de definição do que de fato é e do que talvez seja.

Os maiores? Tenho três GIGANTES. Sonhos de criança, sonhos de uma alma pura (sem brincadeiras, malícias ou trocadilhos).

Sonho de verdade em conviver mais com meu pai. Em passar mais tempo do lado, em conversar mais com o cara. Em tentar aprender mais um pouco daquilo que penso que só ele pode ensinar. E, por que não, tentar aprender alguma coisa sobre como ser um pai no futuro.

Sonho em parecida intensidade em ver minha mãe parar de fumar. Pode parecer bobagem, mas a cada cigarro fumado vejo ela um passo mais distante de mim. Aquela sensação ruim de perda, de distância, de um inevitável problema o qual não consigo evitar por mais que tente.

Mais do que ambos, talvez numa intensidade ainda maior, sonho em poder um dia recompensar de algum jeito essas duas pessoas. Se fizer por eles metade do que fizeram por mim, vou conseguir a façanha de ser uma pessoa ainda mais feliz, realizada. Meus amigos muito me ajudaram até hoje, sem dúvida nenhuma, mas sem meus pais eu não teria o necessário para poder cativar alguém a me conhecer, tenho quase certeza.

E não sei vocês, mas fui uma daquelas crianças que um dia disse para ambos os pais um ‘eu te odeio’ com toda a raiva possível, quando nem mesmo sabia o que raiva significava. E cara, tenho isso gravado até hoje na minha mente, como o maior erro da minha vida. Não chego a me cobrar e culpar porque era um pirralho que não tinha a mínima ideia da merda que tava falando.

Hoje tenho essa noção e alimento com muita determinação tal sonho de ‘compensação’. Vou tentar todo o possível, tudo que puder alcançar. E se tiver que pular, pularei, porque cair faz parte.

Que as poucas pessoas que vierem a ler esse texto sejam testemunhas do quanto quero e do quê quero.

Obrigado, meus velhos. Vocês são fodas.

Mesmo essa distância.

Uma hora volta, e isso aprendi ao tentar esconder de ti e de todos aquela verdade distorcida. Desde o começo, desde as primeiras manifestações, tentei guardar e manter. Manter só pra mim como se garantisse uma exclusividade que eu sabia ser desnecessária. Mas não ser necessária não significa não ser desejada, pelo contrário.

Não sofri, não fiz drama, não chorei e não desabafei. Ninguém soube o rumo do pensamento e da vontade, nem mesmo aqueles que conheceram o início. Até porque no início era uma bobagem, uma viagem, coisa de doido mesmo. Sendo desacreditado e encarado tal qual foi dito, levei adiante somente imaginando e sonhando.

Aquele 15 de abril foi então o ponto de partida de todo o passeio. E nada como partir numa expedição, sem destino definido, com dia ensolarado e brisa calma ao redor, sem nada para segurar ou impedir (aparentemente) que aquilo se torne real. Infelizmente, de encontro a isso, já inventaram o medo, a falta de coragem e a reflexão baseada em ‘um pouco é melhor que nada’.

Não digo que foram os principais motivos pelo que foi visto adiante na estrada, mas fizeram a diferença ao colocar na balança diversas pequenas decisões tomadas em conflito com o sorriso único e sincero que conseguia ver à frente. Vi poucos como o teu até hoje, confesso. Poucos mesmo. E para ser sincero, não procurei comparar. Não procurei igualar.

Teu lugar era garantido de acordo com a tua vontade, e é assim até hoje, mesmo não sendo a dependência característica. Saiba que jamais me animei a te revelar a minha vontade. Poderia te assustar. O único episódio se tornou portanto a pequena dívida que atualmente serve de conexão com quaisquer memórias daquele ontem.

Musicalmente, Sad But True poderia simbolizar o lento processo atravessado, mas não, de triste não teve nada. Digo a plenos pulmões que não. Somente de verdadeiro. E até inocente, talvez. No papel ficou a música realmente representativa e da minha mão ele nunca saiu, e tu jamais ouviu aquela letra para concordar comigo.

Quem sabe uma hora dessas retomemos a calmaria e o sentimento acertado de que nada além é necessário.

Sem promessas.

Promete?

Elementos combinados.

Verão. Calor. Quente. Fogo. Vida. Elementos e um estado de espírito reunidos num só determinado e único conjunto. A relação é incabível à maioria, ao que parece, mas vejo grande sentido em anexar tais vocábulos.

Na minha singela opinião, calor é sinônimo de vida. De estar vivo, de se sentir vivo. De me sentir vivo. Talvez resida aí um dos principais motivos pela preferência pessoal ao verão como a melhor das estações, o melhor dos momentos num longo ano.

São raros os temas em que tenho gosto pelos extremos, porém temos aqui exemplo da exceção. Quanto mais calor, melhor.

Suar nem sempre é bom, concordo até, porém me recorda que ainda possuo a possibilidade de transpiração, de vivência. Ainda posso ligar o chuveiro e curtir a água gelada e aquela inquestionável ótima sensação de refrescância.

Mais uma vez a beleza da contradição. Outros elementos, alheios ao fogo, só tornam ainda melhor e mais completa a experiência relacionada ao calor. O vento que envolve ou carrega e arrasta; a água da chuva que respinga ou que molha muito.

Não me parece coincidência que, no momento em que a vida deixa o corpo de algum de nós, passamos a nos tornar seres gelados e frios como somente uma pedra tem o direito de ser. O peito, o sangue e a alma congelados gritam que não há mais o que viver.

Como preferir uma pessoa ‘fria’ ou até mesmo ‘morna’, que guarda absolutamente tudo pra si ao não compartilhar as situações com outros e que não interage ao nível de empolgar alguém com a sua mera existência?

Uma dança, um sorriso, um prato de comida, um coração, um café, um abraço, um olhar, uma final de campeonato, um beijo. Quentes. Ou alguém sinceramente prefere algum desses ‘frios’?

Me permito portanto, em tudo que for possível, utilizar situações frias somente quando o calor já houver sido aproveitado e for buscado algo novo ou dissemelhante.

In the depth of winter I finally learned that there was in me an invincible summer.

Seis de Janeiro, segundo ato.

Talvez alguém lembre da primeira versão, mas acho difícil. De qualquer maneira, tal dia meio que se tornou o período em que mais acabo refletindo, pensando e matutando, essas coisas que vocês já tão cansados de ler e tal. A saga começou em 2011 e nem Deus sabe quando acabará. Mas a edição desse ano foi garantida (numa fórmula deveras diferente).

E quando parei e prestei atenção à volta, tudo que conseguia ver era água. Gelada, salgada e, acredite se quiser, molhada. Um fator tornava imprescindível aquele momento pra mim: a bandeira vermelha acima da guarita me obrigou a entrar naquele lugar, naquela específica zona, naquele estado de espírito. Depois de intermináveis e desanimadas bandeiras verdes e amarelas, faltava algum agito nos dias que passavam. E achei o que procurava.

Com exceção do barulho do mar, das ondas e dos mergulhos, aqueles sons característicos, tudo que conseguia ouvir era silêncio. Eis o que tornava o momento único. A beleza da contradição. A ausência de sons normalmente torna regente a calmaria. Não dessa vez. Não tinha mais ninguém ali por perto, o mar era todo meu. E à medida que não via ninguém mais naquela imensidão de água, poderia dizer que a maior praia do mundo era minha. Talvez tenha me arriscado sozinho demais, mas confesso que foi compensador e inclusive me assusto em dizer tal sentença.

E visto que tenho mania de reflexões, comparações e principalmente de analogias, não me contive em buscar as relações entre o momento por inteiro, por completo, além de uma própria conexão com o sexto dia do ano que já havia passado. Como tinha sido o mesmo dia em 2011 e como andava sendo em 2012. As pessoas ao meu redor, o que de fato passava na minha mente, o que eu mostrava que passava na minha mente, aquilo que guardava pra mim, aquilo que eu sentia.

Um ano é capaz de fazer muita coisa mudar, certo? Errado. Nós somos capazes de fazer muita coisa mudar. Inclusive nossos defeitos, mas nesse aspecto ainda peco bastante. Acho que todo nós pecamos, inclusive quando não nos propomos a tentar diminuí-los. Seguirei tentando, enfim.

E ainda quero fazer muita coisa mudar em 2012. Não porque dizem ser o último dos anos, não porque algum dia conheci a expressão seize the day. É por mim, e só por mim. É esse o jeito que talvez me faça agir melhor com cada pessoa que me busca por algum motivo. Porque quero que vejam o meu melhor, o verdadeiro e sincero melhor, e que se lembrem de mim por isso.

Que vejam que tento melhorar aquilo que tenho de não tão bom, ao mesmo tempo que passem a ver mais minhas qualidades, aquelas que tenho orgulho em possuir. Na minha humilde opinião, conhecer nossos pontos fracos e fortes é um dos principais passos no que diz respeito à maturidade.

Mas independente disso, o jeito é tentar errar melhor. Tentar ainda mais acertar melhor. Com a pretensão de correr alguns riscos, enfrentar mais desafios. Sem doidera, com a cabeça no lugar, mas almejando o novo e fazendo valer cada pena passada no processo. Sendo eu mesmo, e somente eu mesmo.

Quem quiser vir junto, sinta-se à vontade.

I hope you live a life you’re proud of. If you find that you’re not, I hope you have the strength to start all over again.

Cedo ou tarde.

Não sei se hoje seria o melhor dia para colocar tal pensamento em palavras, nem se essa seria a hora. Tenho quase certeza que não, mas obrigo-me e faço necessário realizar esse breve depoimento que mentalmente se estende há tanto tempo.

A saudade é grande. Essa é a primeira, a mais verdadeira e a mais sincera manifestação que posso fazer. Sei que o tempo passa e muitas coisas se tornam mais difíceis, mas acho que nem isso  poderia justificar. A saudade continua grande. Não passou até agora e não vai passar tão cedo. É amenizada algumas vezes ao ano, porém nunca extinta. Boas memórias ajudam a mantê-la viva todo santo dia.

Me pergunto de qual maneira consigo vislumbrar somente aquilo que um dia foi bom. Felizmente esqueço (ou não me dou a liberdade de lembrar) das coisas não tão felizes, não tão vivas. Ficam na lembrança dias marcantes, dias diferentes, dias únicos. Dias que mostraram que era possível sim termos tornado algumas coisas diferentes. É possível ainda, né?

O mais curioso, no entanto, é que apesar dos anos de pensamentos acumulados, não sei como exemplificá-los. Não sei se consigo te dizer tudo como deveria ter sempre dito, mas eu era uma criança. Sou uma criança, e é possível que por isso ainda não saiba.

Tenho muito que aprender ainda. Ouço sempre isso de ti e guardo o som na minha mente. Ainda que o contato tenha diminuído, as lições aumentaram. Ou simplesmente deixei-as fazerem mais sentido. Tudo é uma grande pergunta então. Por quê?

Por que aqueles momentos não se repetiram? Por que aquela manhã de domingo não aconteceu mais uma vez? Por que a promessa não foi cumprida? Por que sempre tão pouco tempo? São verdades que insisto em dizer brincando, com medo de assustar, de espantar, de perder o que restou. Aquilo que às vezes penso ser muito, aquilo que às vezes penso ser pouco.

Pode ser egoísmo meu não tentar descrever o que passa na minha cabeça em relação a outras pessoas, mas errando e tropeçando, me esforço para que elas saibam de algum outro jeito. E acho que no fundo elas sabem. Espero que saibam. Mas tenho medo também que tu não saiba, e por isso acabo refletindo aqui.

Não será hoje ainda, nem mesmo nesse ano, que terei coragem de te dizer tudo aquilo que realmente quis todos esses anos. Quem sabe no próximo. Quem sabe no que vem em seguida. Quem sabe um dia. Quem sabe? Quase sempre que escrevo por aqui me faço tal questionamento, e talvez seja um dos textos em que a pergunta melhor se encaixa.

Mais uma vez deixo a resposta em dívida. Ali na frente saberei enxergá-la, tenho certeza disso. Torço que tu também enxergue e possa então somente dizer eu te amo.

Pode ser que daqui algum tempo haja tempo pra gente ser mais. Muito mais que dois simples amigos, pai e filho talvez.

Ordem desconexa do ato de simplificar complexando.

O meu, talvez seja só comigo, realmente não tô ligado, mas final de ano desperta, no que remete aos pensamentos, uma nostalgia diferenciada e divergente das demais nostalgias. E dá vontade de relembrar cada momento bom de mais um baita ano. Se 2009 levou uma nota digamos… 9.8, 2011 ganhou um belo 9.6 e por pouco não subiu no lugar mais alto do pódio. Baseado nisso, na real, poderia fazer um mega texto aqui e citar mês por mês como fiz no último ano, mas cara, só deixaria complexo aquilo que a simplicidade tem o poder de resumir (não vem cartear pensando que isso me fará escrever menos, por mais redundante que pareça).

Paz, sinceridade, amizade, términos, recomeços, sonhos realizados, tropeços e mudanças. Acho que posso sim resumir um ano inteiro nessas nove palavras com certa segurança e alegria. Até as coisas ruins, os males, vieram para o bem. E eu diria que são raras as sensações melhores que essa, velho. A calmaria depois da tempestade tem importante valor, salvas as metáforas, pelo menos no meu mundinho paralelo em que predomina atualmente o total e absoluto desejo de tranquilidade.

Foi essa paz que acabei buscando o ano todo. Passei por dificuldades nesse processo, principalmente no início? Ô, se passei! Meados de 2011 também não foram fáceis no quesito, mas ei, problemas tão aí pra serem vencidos. Poderia dizer ainda que a sinceridade teve importante/definitivo papel na conquista dessa paz de espírito. Foi importante pra caralho. E no meu dicionário, sinceridade e amizade tão lado a lado. É aquela velha coisa do quem é meu amigo DE VERDADE, afinal?, sabe? Tipo de pergunta a ser repetida ao longo dos anos (todos os finais de ano, principalmente).

Dizem por aí que as coisas terminam por algum motivo (sim, óbvio), por algo além do que podemos perceber tão em seguida. E caramba, foram muitos términos nesses ricos 340 e poucos dias. Términos temporários e definitivos. Aquilo que tu joga pra cima e às vezes simplesmente não volta. Tu te torna a pensar se deveria ter então jogado, mas te dá conta que fez o melhor possível e no fim não faria diferença. Com isso, uma coisa é certa: o recomeço. Voltando ou não, a solução é começar de novo, seja do zero ou de um checkpoint da vida real.

Recomeços são necessários até mesmo após coisas positivas. Como se vive depois de um grande sonho realizado? Pergunta idiota, né? Mas só achei a resposta nesse tal de 2011. Talvez essa resposta, correta pra mim, não seja a mesma pra ti, mas minha solução se baseia num conceito único e também simples: se cheguei até tal ponto, posso certo dia chegar lá novamente e, inclusive, vencer o limite. Torno então um objetivo. Se já cheguei ali, procuro não me dar o direito de sonhar mais baixo. Mais uma vez o conceito do checkpoint.

Logo, parto do princípio que após a chegada no topo e a iminente descida/decaída (mesmo que pequena, afinal a queda é natural; o mais difícil é se manter lá em cima), tropeçamos em seguida no novo caminho, por um espaço de tempo significativo. A comparação se torna inevitável e a busca por algo ‘tão bom quanto’ é praticamente necessária e obsessiva. E é aí, meu caro amigo, que baseio uma das melhores partes dessa tal vida aí que todo mundo fala: a indiscutível mudança renovadora de pensamentos, atitudes, visões e opiniões.

Penso que concordamos todos que, num determinado ponto, é obrigatório e determinante uma mudança de rumo, de caminho, de estrada. Faz a curva, diabo! Coloca uma bifurcação na tua frente e escolhe uma trilha. Mantendo a analogia da vida/estrada, pensa comigo assim ó: NÓIS CAPOTA MAH NUM BRECA. É assim que é, é assim que vai. Chuta que é macumba! Finge que é catador de lixo: o que for ruim, tu coloca no caminhão pra ser enterrado (ou reciclado, por que não?). O que for bom? Faz de conta que é adubo. Deixa no chão que vai dar coisa útil logo ali na frente.

Bom… se tu leu até aqui, tu tirou uma conclusão. Algo baseado em ‘esse maluco fuma um capim PESADO‘.

Mas nem fumo nada, relaxa e termina de ler essa bagaça, falta pouco.

Nesse desgramado 2011 consegui manter meus esconderijos e busquei-os quando necessário, cultivei minhas diferenças e finquei o pé (talvez por um pequeno orgulho restante) quando ouvi que era o errado a ser feito. Cogito ter sido chamado de raro 1001 vezes, senão mais. E se no final do outro ano acabava vendo isso como aspecto negativo, o conceito renasceu melhor do que poderia ser esperado. Isso de fato gera a sensação de felicidade em saber que se é muito diferente da maioria, principalmente no que diz respeito às coisas ruins ou até mesmo negativas. Ser estranho ou anormal não corresponde necessariamente a algo pejorativo. É aquela coisa da turma inteira que assinala as mesmas respostas na prova, exceto tu, que marca tudo diferente (e quase gabarita). Não é coisa que acontece o tempo inteiro, mas quando acontece É FODA, MALUCO!

Não vou dizer que rio por serem quase todos iguais, só digo que rio praticamente o tempo todo porque é basicamente questão de gosto, de motivação. É questão de não me deixa parar. A música ainda diz que rir de tudo é desespero, mas acabo discordando (e muito, tio Frejat). Faço numa boa meu próprio jogo quando o assunto é prioridades e me permito (na maioria das vezes) escolher o motivo das risadas. Se tu só me vê rindo, pode ter certeza que na peneira deixei algo que não valeria a pena passar adiante. Torna-se portanto questão quase única de escolha, ao meu ver. Aprender a jogar aos poucos e domar aquilo que de ruim chega e NÃO se instala parece ser a chave necessária num quebra-cabeças de difícil resolução. Coisas ruins não podem se instalar, não é permitido.

Poooortanto… o que virá por aí, caros lenhadores? Qual será a de 2012? Qual será a do final de 2011? Começará o vindouro ano tão bem quanto o atual? E o mundo, acabará? Um ano e quatro dias até termos a resposta.

Pretendo fazer render esse tempo.

Mais do que nunca.

Antes do que nunca.

Memórias não são só memórias.

Então já faz quase um ano. E me pego aqui no meu mundinho sentindo mais falta daquela época do que em qualquer momento desse ano (e olha que muito já senti essa falta). Relembrando um pouco, sorrindo outro pouco. Sim, sozinho, sem aparente motivo. O início de 2011 foi sem dúvida o melhor dos meus 20 anos. Simplesmente não tem comparação. Foi uma perfeita sucessão de eventos que viraram uma das maiores nostalgias que eu poderia hoje ter.

E cara, como é bom lembrar de tudo aquilo. Lembrar de ficar perdido no primeiro dia do ano, sem saber pra qual lado ir, levando uma chuva de verão na cabeça; lembrar de idas pra praia que renderam por dias e dias; lembrar até de coisas não tão boas e sentir falta daquilo; lembrar de beber, conversar, ver o dia nascer, ver o dia ir embora, passar calor, passar frio, caminhar, correr, ‘dar uma volta’, gritar, jogar, deixar subentendido; lembrar de uma parceria na qual a risada era garantida e não tinha espaço pra tempo ruim. E não ter espaço pra tempo ruim é tudo que tento conseguir pros meus dias. E digo que naquela época isso era muito fácil.

Basicamente reaprendi o significado do termo ‘ter o que contar pros netos’, porque provavelmente a maioria daqueles bons momentos vão ficar facilmente guardados na memória, independente do que aconteça. O registro já foi feito, a alegria já foi vivida. E ao mesmo tempo que tenho alguma razão em dizer ‘poderia ter aproveitado ainda mais’, não me arrependo um segundo de ter vivido aqueles dias do jeito que foram vividos.

Só tenho então a fazer um humilde agradecimento àqueles que estavam lá comigo, àqueles que garantiram que cada um desses momentos fossem lembrados mesmo após tanto tempo. Se hoje infelizmente o convívio diário já não é o mesmo de antes, tudo que torço é para que volte um dia a ser. Torço de verdade.

Bom dia, 2011!

Bom dia, 2011!

Que venha 2012!

Dedicado aos parceiros/guerreiros/heróis Jesus, Maithe, Aline e Samanta.